Literatura e Ciência
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Excertos de obras literárias que façam referência à ciência e/ou exponham de algum modo o pensamento ou o espírito científico. Inspirado na rúbrica homónima do Blogue VAC (viveraciencia.wordpress.com)
«Portugal precisa de propaganda científica, e tu pelo estilo, pelo estudo, pelo carácter podias, devias aproveitar esta quadre para uma explosão de panfletário; mas sempre com o ponto de vista da verdade, da ciência e fugindo da política de cocher que se desvanece logo e não chega a distância.» | Cesário Verde

Literatura e Ciência (29): Cesário Verde e o ponto de vista «da verdade, da ciência»

«Portugal precisa de propaganda científica, e tu pelo estilo, pelo estudo, pelo carácter podias, devias aproveitar esta quadre para uma explosão de panfletário; mas sempre com o ponto de vista da verdade, da ciência e fugindo da política de cocher que se desvanece logo e não chega a distância.» | Cesário Verde

«Este, na sua qualidade profissional, teve a natural hesitação do prático científico perante o fenómeno inesperado: não só pôs respeitosas reticências no tocante aos estranhos vultos alados como admitiu que a refracção das nuvens sangrentas do ocaso fosse a causa de tão intrigantes imagens.» | José Cardoso Pires, in A República dos Corvos

Literatura e Ciência (20): José Cardoso Pires, a “prudência científica” e os porcos-voadores

«Este, na sua qualidade profissional, teve a natural hesitação do prático científico perante o fenómeno inesperado: não só pôs respeitosas reticências no tocante aos estranhos vultos alados como admitiu que a refracção das nuvens sangrentas do ocaso fosse a causa de tão intrigantes imagens.» | José Cardoso Pires, in A República dos Corvos

«Ele aproveitava o ensejo de uma gripe ou trabuzana intestinal para injectar aos pacientes algumas noções de política: «Que remédio têm eles senão ouvir-me! Dou-lhes aspirina e bicarbonato, um clister ou uma injecção de água destilada, e de caminho casco-lhes. Eles vingam-se de mim chamando o padre, e depois dizem que foi um milagre que os curou das hemorróidas ou da caganeira!» | José Rodrigues Miguéis, in O pão não cai do céu

Literatura e Ciência (1): José Rodrigues Miguéis

«Ele aproveitava o ensejo de uma gripe ou trabuzana intestinal para injectar aos pacientes algumas noções de política: «Que remédio têm eles senão ouvir-me! Dou-lhes aspirina e bicarbonato, um clister ou uma injecção de água destilada, e de caminho casco-lhes. Eles vingam-se de mim chamando o padre, e depois dizem que foi um milagre que os curou das hemorróidas ou da caganeira!» | José Rodrigues Miguéis, in O pão não cai do céu

«Ao fim da tarde, sento-me no paredão do farolim. O mar calmo, a Outra Banda verde, a costa perdida em bruma violeta e o cabedelo entre o rio azul e o mar azul. Atrás de mim acende-se o farol, e na areia um bando de gaivotas aninhadas grasna baixinho.    A felicidade é aquilo. Mergulham, patinham na água e levantam voo de repente, embebendo-se no azul para caírem a prumo sobre as mantas de petinga.» | Raúl Brandão, in Os Pescadores

Literatura e Ciência (24): Raul Brandão, um instinto naturalista e uma ode às aves

«Hoje as pessoas não têm vagar nem paciência para fixar na cabeça pormenores e miudezas históricas, isso estaria bem para os contemporâneos do nosso rei D. Afonso o Primeiro, que tinham, obviamente, muito menos história para aprender, uma diferença de oito séculos a favor deles não é brincadeira nenhuma, a nós o que nos vale são os computadores, metemos lá para dentro tudo quanto seja enciclopédia e dicionário, e pronto, dispensamo-nos de ter memória própria (...)» | José Saramago

Literatura e Ciência (27): Saramago, a memória, o cérebro e os computadores

José de Sousa Saramago was a Portuguese writer and recipient of the 1998 Nobel Prize in Literature.

«O leitor há-de ver já a seguir que o autor não é forte em ciência, de modo que tudo quanto ficar escrito não terá absolutamente nada de científico. Será exactamente nem científico nem falso, ao mesmo tempo.» | José de Almada Negreiros, in Nome de Guerra

«O leitor há-de ver já a seguir que o autor não é forte em ciência, de modo que tudo quanto ficar escrito não terá absolutamente nada de científico. Será exactamente nem científico nem falso, ao mesmo tempo.» | José de Almada Negreiros, in Nome de Guerra

«Deixara de acreditar nas ciências tradicionais, desde que se sentara em frente de uma montanha e gritara morango e a montanha lhe devolvera cinquenta alperces, e ele gritava vermelho e a montanha lhe devolvera rosa rosa rosa, uma rosa cada vez mais ténue.» | Jorge Sousa Braga, in O poeta nu [poesia reunida]

Literatura e Ciência (19): Jorge Sousa Braga e uma crença “cada vez mais ténue” nas ciências tradicionais

«Deixara de acreditar nas ciências tradicionais, desde que se sentara em frente de uma montanha e gritara morango e a montanha lhe devolvera cinquenta alperces, e ele gritava vermelho e a montanha lhe devolvera rosa rosa rosa, uma rosa cada vez mais ténue.» | Jorge Sousa Braga, in O poeta nu [poesia reunida]

«Não falamos sobre o que aconteceu ao pai mas é como se isso sugasse todas as conversas. Todas as conversas e todos os silêncios. O Lee andava sempre a ler nas revistas coisas sobre os buracos negros, buracos que são como estrelas ao contrário e que em vez de darem luz engolem tudo o que está à sua volta, até a própria luz. A prisão do pai foi a mesma coisa.» | Dulce Maria Cardoso, in O Retorno

Literatura e Ciência (26): Dulce Maria Cardoso e os silêncios como buracos negros

«Não falamos sobre o que aconteceu ao pai mas é como se isso sugasse todas as conversas. Todas as conversas e todos os silêncios. O Lee andava sempre a ler nas revistas coisas sobre os buracos negros, buracos que são como estrelas ao contrário e que em vez de darem luz engolem tudo o que está à sua volta, até a própria luz. A prisão do pai foi a mesma coisa.» | Dulce Maria Cardoso, in O Retorno

«A olhar tubos de reacção alinhados e coloridos, onde uma subtil turvação é uma sentença sem apelo, até me esqueci de que o sangue era meu, empolgado como fiquei pelo progresso metódico de uma ciência universal, inexorável, que vai devassando esta última intimidade do mundo que era a vida. Abdiquei do meu próprio terror, encadeado pelo brilho da alquimia. Mais uns passos, e seremos transparentes como cristal.» | Miguel Torga, in Diário VI

Literatura e Ciência (5): Miguel Torga e o progresso da medicina

«A olhar tubos de reacção alinhados e coloridos, onde uma subtil turvação é uma sentença sem apelo, até me esqueci de que o sangue era meu, empolgado como fiquei pelo progresso metódico de uma ciência universal, inexorável, que vai devassando esta última intimidade do mundo que era a vida. Abdiquei do meu próprio terror, encadeado pelo brilho da alquimia. Mais uns passos, e seremos transparentes como cristal.» | Miguel Torga, in Diário VI

«Buraco-negro-com-barba-postiça-/de-Newton  /ou pirâmide de De?    /A pirâmide de De  /com saltos altos e rara elegância de /meios  /caminha um mililímetro por segundo  /em direcção a Maar  /O qual em movimento inverso se /expande  /(tahafut-ul-tahafut) à razão  /de 2 tri-leões por sebe. Por  /outro lado  /Se houvermos por verídico o retrato  /que Blake fez de Newton  /este NÃO TINHA BARBA /(relativamente) (nenhuma)  (...)  | Mário Cesariny, in Pena Capital

Literatura e Ciência (16): surrealismo de Cesariny atira Newton para um buraco negro

«Buraco-negro-com-barba-postiça-/de-Newton /ou pirâmide de De? /A pirâmide de De /com saltos altos e rara elegância de /meios /caminha um mililímetro por segundo /em direcção a Maar /O qual em movimento inverso se /expande /(tahafut-ul-tahafut) à razão /de 2 tri-leões por sebe. Por /outro lado /Se houvermos por verídico o retrato /que Blake fez de Newton /este NÃO TINHA BARBA /(relativamente) (nenhuma) (...) | Mário Cesariny, in Pena Capital

“Eu gosto de palavras. E de matemática também. Por isso brinco com elas. Brincar é uma coisa muito séria: quem quereria brincar com gente ou com coisas de que não gosta?”

Literatura e Ciência (30): Manuel António Pina e a incrível aventura de i (o “número imaginário com muita imaginação”)

Manuel António Pina 'Condenado' à poesia

«Algures num laboratório subterrâneo nas imediações de Dallas, Thompson King, destacado investigador de Biologia, descobriu a cura para a mais tortuosa doença que a humanidade conheceu até hoje: o Vírus da Vida.» | J.P. Simões, in O vírus da vida

«Algures num laboratório subterrâneo nas imediações de Dallas, Thompson King, destacado investigador de Biologia, descobriu a cura para a mais tortuosa doença que a humanidade conheceu até hoje: o Vírus da Vida.» | J.P. Simões, in O vírus da vida

«Arranjei o meu estilo estudando matemática e ouvindo um pouco de música. – João Sebastião Bach. Conhece o Concerto Brandeburguês n.º 5? Conhece com certeza essa coisa tão simples, tão harmoniosa e definitiva que é um sistema de três equações e três incógnitas. Primário, rudimentar. Resolvi milhares de equações. Depois ouvia Bach. Consegui um estilo.» | Herberto Helder, in Os Passos em Volta

Literatura e Ciência (23): Herberto Helder com Os Passos em Volta encontra o estilo entre Bach e a Matemática

«Arranjei o meu estilo estudando matemática e ouvindo um pouco de música. – João Sebastião Bach. Conhece o Concerto Brandeburguês n.º 5? Conhece com certeza essa coisa tão simples, tão harmoniosa e definitiva que é um sistema de três equações e três incógnitas. Primário, rudimentar. Resolvi milhares de equações. Depois ouvia Bach. Consegui um estilo.» | Herberto Helder, in Os Passos em Volta

«O camiño a Elviña era de terra, polo menos até que o home chegou á Lúa, pois xusto foi asfaltado en vésperas da aterraxe do Apolo 11 no verán de 1969. Falábase moito de astronautas e o operario da pistola de alcatrán, que se desprezaba por Castro com pasos foltantes sobre a grava cun escafandro branco, tiña un aire de misión espacial da NASA.» | Manuel Rivas, "As voces baixas"

Literatura e Ciência (31): Manuel Rivas e o Astronauta que alcatroou uma estrada galega

Para Manuel Rivas, cada persoa está feita pola pegada que os demais deixaron nela

«Um homem que confia, um cosmonauta, leva fios invisíveis de humanidade em esfuziante propulsão. Com ele viaja o nosso velho universo – com lábios assim tão gelados e com escafandros tão tenebrosos. Sinceramente. Falo com a mão na consciência, porque, modéstia à parte, muitos dos meus avós portugueses também foram bons cientistas de descobrir mundo. Excelentes, não exagero.» | José Cardoso Pires, in O Delfim

Ciência e Literatura (12): (Outra vez) Cardoso Pires, O Delfim e o cosmonauta Edwin Aldrin

«Um homem que confia, um cosmonauta, leva fios invisíveis de humanidade em esfuziante propulsão. Com ele viaja o nosso velho universo – com lábios assim tão gelados e com escafandros tão tenebrosos. Sinceramente. Falo com a mão na consciência, porque, modéstia à parte, muitos dos meus avós portugueses também foram bons cientistas de descobrir mundo. Excelentes, não exagero.» | José Cardoso Pires, in O Delfim

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