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Explora De Eliane, Projetos Para Experimentar e outros!

Eliane Brum

Eliane Brum

6 | ELIANE BRUM (03.04.2017) | Ao fazerem o parto da aldeia lado a lado com os homens, as mulheres conquistaram um novo lugar simbólico. “Aqui nesta aldeia a gente já teve o empoderamento das mulheres”, diz Bel Juruna, que ao participar de encontros de mulheres no Brasil e na América Latina para debater a Amazônia, adotou jargões do feminismo. Pergunto a ela se busca inspiração em alguma mulher que admira, ela responde: “Me inspiro em mim mesma, na minha própria vida”.

No fim do mundo de Alice Juruna tem Peppa Pig

6 | ELIANE BRUM (03.04.2017) | Ao fazerem o parto da aldeia lado a lado com os homens, as mulheres conquistaram um novo lugar simbólico. “Aqui nesta aldeia a gente já teve o empoderamento das mulheres”, diz Bel Juruna, que ao participar de encontros de mulheres no Brasil e na América Latina para debater a Amazônia, adotou jargões do feminismo. Pergunto a ela se busca inspiração em alguma mulher que admira, ela responde: “Me inspiro em mim mesma, na minha própria vida”.

Raimunda, no rio, com uma bandeira do Brasil na cabeça porque diz que o país também é dela.

A devastação do Xingu, em imagens

Raimunda, no rio, com uma bandeira do Brasil na cabeça porque diz que o país também é dela.

1 | ELIANE BRUM (03.04.2017) | Alice Juruna, em fotografia de 2015, salta para mergulhar no rio Xingu. (Lilo Clareto)

No fim do mundo de Alice Juruna tem Peppa Pig

1 | ELIANE BRUM (03.04.2017) | Alice Juruna, em fotografia de 2015, salta para mergulhar no rio Xingu. (Lilo Clareto)

| ELIANE BRUM | Eu compreendo que, para você, o turbante também significava abrigo. E talvez abrigo da dor. Mas você tem outras formas de encontrar abrigo para sua cabeça nua. Assim como eu tenho outros jeitos de me expressar através do que coloco na cabeça. As mulheres negras nos explicam que não. Que para elas o turbante é memória, é identidade e é pertencimento. É, portanto, vital.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Eu compreendo que, para você, o turbante também significava abrigo. E talvez abrigo da dor. Mas você tem outras formas de encontrar abrigo para sua cabeça nua. Assim como eu tenho outros jeitos de me expressar através do que coloco na cabeça. As mulheres negras nos explicam que não. Que para elas o turbante é memória, é identidade e é pertencimento. É, portanto, vital.

| ELIANE BRUM | Mas o que para mim tem se tornado mais evidente, Thauane, é o que tenho chamado de existir violentamente. Por mais éticos que nós, brancos, pudermos ser, a nossa condição de branco num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existir. Quando eu nasço no Brasil, em vez de na Itália, porque as elites decidiram branquear o país, já sou de certo modo violenta ao nascer.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Mas o que para mim tem se tornado mais evidente, Thauane, é o que tenho chamado de existir violentamente. Por mais éticos que nós, brancos, pudermos ser, a nossa condição de branco num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existir. Quando eu nasço no Brasil, em vez de na Itália, porque as elites decidiram branquear o país, já sou de certo modo violenta ao nascer.

| ELIANE BRUM | Por séculos os brancos falaram praticamente sozinhos no Brasil, inclusive sobre o que é cultura e sobre o que é pertencimento. Os brancos falaram praticamente sozinhos até sobre o lugar do negro neste país. Agora, ainda bem, perdemos esse privilégio. E vamos ter que conversar. Mas o privilégio primeiro que perdemos quando as vozes negras começaram a ecoar mais longe é o da ilusão de que somos “limpinhos” porque não somos racistas. Não somos limpinhos.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Por séculos os brancos falaram praticamente sozinhos no Brasil, inclusive sobre o que é cultura e sobre o que é pertencimento. Os brancos falaram praticamente sozinhos até sobre o lugar do negro neste país. Agora, ainda bem, perdemos esse privilégio. E vamos ter que conversar. Mas o privilégio primeiro que perdemos quando as vozes negras começaram a ecoar mais longe é o da ilusão de que somos “limpinhos” porque não somos racistas. Não somos limpinhos.

| ELIANE BRUM | Percebi primeiro pela intuição, ao observar o meu entorno, e depois fui estudar para compreender também através dos fatos, das reflexões e do processo histórico. Nasço neste país com privilégios. Mas não só. Percebo que já me insiro neste mundo pela experiência de “existir violentamente”. Vou aprofundar este conceito mais adiante.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Percebi primeiro pela intuição, ao observar o meu entorno, e depois fui estudar para compreender também através dos fatos, das reflexões e do processo histórico. Nasço neste país com privilégios. Mas não só. Percebo que já me insiro neste mundo pela experiência de “existir violentamente”. Vou aprofundar este conceito mais adiante.

| ELIANE BRUM | O episódio relatado por você e a repercussão do seu relato são tudo menos uma banalidade. Ambos contam de um momento muito particular do Brasil no que se refere à denúncia do racismo. Um momento que, por sua riqueza, não pode ser interditado por muros.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | O episódio relatado por você e a repercussão do seu relato são tudo menos uma banalidade. Ambos contam de um momento muito particular do Brasil no que se refere à denúncia do racismo. Um momento que, por sua riqueza, não pode ser interditado por muros.

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Chance de recomeçar - por Eliane Brum

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De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Afinal, não seria até mesmo um reconhecimento e uma homenagem, já que você considera algo identificado com a cultura negra tão bonito que escolhe botar na cabeça? E isso te parece bastante óbvio. E parece bastante óbvio para muitas pessoas que te apoiam.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Afinal, não seria até mesmo um reconhecimento e uma homenagem, já que você considera algo identificado com a cultura negra tão bonito que escolhe botar na cabeça? E isso te parece bastante óbvio. E parece bastante óbvio para muitas pessoas que te apoiam.

| ELIANE BRUM | Se esse episódio acontecesse alguns anos atrás, Thauane, eu talvez aderisse à sua hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim. Porque acharia uma convocação mais igualitária. Até alguns anos atrás eu acreditava que era suficiente não ser racista. Eu me achava bacana por defender os direitos humanos e denunciar a violência contra as minorias. Eu me achava legal por não distinguir raça, mas enxergar pessoas.

De uma branca para outra

| ELIANE BRUM | Se esse episódio acontecesse alguns anos atrás, Thauane, eu talvez aderisse à sua hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim. Porque acharia uma convocação mais igualitária. Até alguns anos atrás eu acreditava que era suficiente não ser racista. Eu me achava bacana por defender os direitos humanos e denunciar a violência contra as minorias. Eu me achava legal por não distinguir raça, mas enxergar pessoas.

Dia 8 de março é o dia internacional da mulher. Veja uma seleção com as MAIS LINDAS mensagens e frases para o dia da Mulher 2017. Frases empoderadas e mais!

Frases para o Dia da Mulher 2017 mensagens e frases curtas

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Eliane Brum - um diálogo entre literatura e jornalismo | Templo Cultural Delfos

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Nana Queiroz concorre na categoria Jornalista de Mídias Sociais ao lado de nomes como Eliane Brum, Jules de Faria e Socialista Morena

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